A Gândara antiga

A GÂNDARA ANTIGA

gandara-antigaA terra cria o homem (e cada homem é da sua própria terra, onde estão enterrados os seus antepassados). Mas o contrário também pode acontecer às vezes é o próprio homem que – paradoxalmente, extraordinariamente – cria a terra, fecunda o solo, inventa o chão da sua vida! É assim com o Homem da Gândara, esse homem extraordinário que foi capaz de criar a sua própria terra. E fê-lo secularmente, num enorme esforço, verdadeiramente heróico, de autêntico demiurgo. Pobre demiurgo que, com humildade e determinação – trabalho, sacrifício, fé no futuro -, foi e é capaz de dar remédio à sua pobreza, construir seu próprio mundo, inventar o próprio chão ».
(…) A Nascente, a borda sombria dos pinhais da Gândara; a Poente, o azul do oceano. Naquele mar de areia, a luz violenta e calor escaldante, fazendo miragens, perdendo-se até ao azul das muralhas do Cabo-Mondego ». « Quem surriba chão de areia não encontra onde enterrar raízes de esperança e quem irriga duna virgem sabe que mija numa peneira ». « Como formigueiros, os povoados sucedem-se, perdidos nos pinhais ou ‘alapados’ nas dunas enfarruscadas pelo cultivo que, cobrindo-os de poeira, lhe comunicam um sombreado baço de cinza, um contraste dissonante que estabelece entre a verdura rica dos campos e a estamenha monástica das aldeias, onde o gandarês come o caldo amargo da mantença e estende o corpo fatigado para o repouso merecido, após um dia de trabalho, encharcado em suor ».

João Reigota, in « A Gândara Antiga ». Texto e imagem extraídos do facebook e colocados pelo prof. Mário Ribeiro Caiado  (27-04-2014)


 

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Uma cena gandaresa d’antanho, fantástica composição do pintor Nuno Pedreiro. Imagem extraída do Facebook e colocada pelo prof. Mário Ribeiro Caiado