Origens paroquiais

EXCERTO RELATIVO ÀS ORIGENS PAROQUIAIS

Segundo o breve excerto de Carlos Simões Cruz, relativo às origens paroquiais, atendemos que « O primitivo lugar do Boeiro, cuja primeira referenda que compulsámos data de 1683, estendia-se para nascente do actual centro e tratava-se de um povoado de relativa importância, embora fosse mais pequeno que, por exemplo, Balsas, Corticeiro de Baixo, Camarneira ou Covões. Por solicitação da Academia Real de História ao Bispo de Coimbra, sobre os povoamentos da zona poente do concelho de  Monte Arcado, a quem pertencia Covões, efectuado em 1721, ficámos a saber que, segundo informações do prior de Santo António dos Covões, o padre José Coelho, não constava a existência de nenhuma capela dedicada a Nossa Senhora das Febres. Isto não significa a inexistência de uma pequenina ermida, que, por serem abundantes no litoral beirão, fosse de pouca relevância. Se era de facto foco de devoção local, o mesmo já não acontece em 1758, pois as Memórias Paroquiais referenciam onze capelas pertencentes a freguesia dos Covões de então. No mesmo documento afirma-se que nove delas se encontram localizadas dentro dos respectivos lugares e « separadas só Santo Amaro nos Picotos e Nossa Senhora das Febres no Boeiro. Será, portanto, só a partir desta altura que, agora sim, pela força aglutinadora da igreja, se vai fazendo o povoamento do actual centro. »
A freguesia de Nossa Senhora das Febres foi criada em 1791, e desanexada da de Covões por sentença de Manuel de Jesus Pereira que substituía o bispo de Coimbra D. Francisco Lemos de Faria Pereira Coutinho, conforme se vê testemunhado no Auto de Desmembração lavrado na época. Este manuscrito encontra-se publicado em um monográfico comemorativo do segundo centenário da sua existência, com textos de vários autores. Febres seria uma vigararia da apresentação da mitra de Coimbra, constituída por todas as aldeias e lugares a sul e oeste do Concelho de Monte Arcado . Com a criação de novo concelho, a freguesia deixava de fazer parte deste e passaria a fazer parte de Póvoa da Arrancada (hoje conhecido apenas por Arrancada – Febres. O concelho foi criado no dia 3 de Março de 1792 e abrangia os lugares de Sanguinheira de Cima, Sanguinheira de Baixo, Marco da Sanguinheira (hoje apenas Sanguinheira), Escumalha (hoje Vilamar), Corgos, Sobreirinho, Cabeços de Balsas, Balsas (hoje apenas Balsas), Forno Branco, Lagoas, Fontainhas de Cima, Fontainhas de Baixo (hoje Fontinha), Pedreira, Carvalheira, Fonte Errada, Montinho, Serredade, Corticeiro Grande (hoje Corticeiro de Cima), Corticeiro Pequeno (hoje Corticeiro de Baixo), e também o Casal da Gândara (hoje Gândara no Concelho de Vagos), e Arneiro da Carreira (hoje Carapelhos). Porque a igreja estava fora da Vila, este gradualmente vai perdendo sua importância e quanto ao lugar do Boeiro, já mais próximo, perde a sua nomenclatura a favor da actual de Febres.
O anterior templo paroquial era muito antigo, apesar de não se conhecer a data da fundação. Foi demolido e, em sua substituição, ergueu-se num ponto mais elevado, aproximadamente 150 metros, a actual Igreja. O estilo arquitectónico manteve-se, o que se alterou foi a elegância e o prospecto exterior, sendo a igreja a maior da região. Reconstruída em honra de Nossa Senhora da Conceição, tem festa anual com romaria, a 8 de Setembro.

Em 1835, como muitos outros municípios durante o liberalismo, o concelho de Arrancada é suprimido e a freguesia passa para o termo municipal de Cantanhede. No entanto Febres passou a ser sede de julgado de paz até meados do século XX. De recordar que os Julgados de Paz tratam de causas relacionadas com o incumprimento de contratos e obrigações, de natureza cível, com direito sobre bens móveis e imóveis e de arrendamento urbano. Actualmente o Julgado de Paz está em Cantanhede.

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