Um Poema a Covões

POEMA DEDICADO A COVÕES POR UM EMIGRANTE

Poema do conterrâneo Denis Cavadas, residente nos Estados Unidos, dedicado à sua terra natal e o qual ofereceu aquando do 1º lançamento (em 2004) do site web covoes.com (que veio substituir « aminhaterra » versão, rudimentar, de 2001).

COVÕES, MINHA TERRA NATAL

Da minha linda terra natal,
Em mim levo doces recordações
Esse nostálgico cantinho de Portugal
Minha bela e amada terra, Covões

Covões, és mais um bom amigo
Dos amigos que em meus pensamentos estão
Em meus sonhos, muito estás comigo
Saudades, quantas conserva meu coração!

Foi aí que nasci, andar aprendi e cresci
Foi lá que aprendi a querer e amar.
Foi lá que a infância e a puberdade vivi
foi daí que moço ainda tive que emigrar.

E, quando eu era então jóvem,
Aí sonhava com apanhar estrelas.
Hoje longe de lá, já crescido e homem
Quantas saudades tenho de aí voltar a vê-las!

Amenas lembranças, as quais não esqueço
Pois aí, das estrelas parecia mais perto estar.
Longe agora, a Deus com fervor eu peço
Para muitas mais vezes lá poder voltar.

O alvor, o nascer do sol, o sol pôr
Contemplando-os, parecia-me até mais perfeito…
Covões, aonde brotou meu primeiro amor,
Amor que ainda vibra dentro de meu peito

Foi aí também, em Covões que casei
Naquela igreja arcaica mas tão linda!
E se muitas outras vezes jã voltei,
Sempre me queda esta saudade infinda

Toda aquela gentil e nobre gente
Sempre me apraz voltar a ver.
Há muito que de eles estou ausente
Mas jamais os poderei esquecer

Aos domingos, sempre se ía, eu lembro,
À missa de vestido lavado ou fato novo.
O que mais me gostava era em Dezembro
Quando unido, a Jesus menino cantava um povo.

Dia de Páscoa, quanto eu adorava!
Folares, amêndoas, encantos de primavera…
Jesus na cruz que em cada casa se beijava,
Todos indo de casa em casa: como reviver quizera!

Junho, Santo António e São João se festeja
Ao adro tudo se leveva, menos o mealheiro.
Tudo era uma brincadeira, não havia peleja;
Lembrando Santo António de Covões padroeiro.

As festas, as romarias, os arraiais
Os bailes, o bailar, quão ameno era viver!
Até as aves com seus trinados joviais
Faziam minha alma se enternecer.

As desfolhadas, as vindimas, quão apraz!
A « sarra-a-velha » quando tudo se descobria…
Coisas do que presentemente já não se faz
Mas jóvem outra vez me sentir faria.

Desse gracioso povo, desse perfeito oásis,
Uma imensidade de coisas se poderia escrever
Éden onde qualquer se sentiria feliz,
Lugar aonde meu âmago anseia volver.

Covões é lugar, paróquia e freguesia
Coimbra distrito, Cantanhede concelho.
Para mim maior alegria não haveria
Do que poder descansar aí em velho.

Quizera aí outra vez olhar a luz da alvorada
Repousar bem longe do ruído das multidões
Quizera voltar à minha aldeia adorada,
Morrer na minha linda terra, Covões.

Denis Cavadas – Nov. 16-2004