Festas e Romarias

FESTAS E ROMARIAS NA FREGUESIA

Festas nos Covões- Festa de Santo António em Covões dia 13 de Junho ou no domingo a seguir a esta data.
- Festa (romaria) de Santo Amaro no lugar de Picoto no dia 15 de Janeiro.
- Festa de São Tomé no lugar de Marvão no dia 25 de Julho.
- Festa ao Senhor da Agonia no lugar de Labrengos no primeiro domingo de Agosto.
- Festa a Nossa Senhora da Guia no lugar de Montouro no último domingo de Agosto.
- Festa a Nossa Senhora das Virtudes no lugar de Malhada no dia 8 de Setembro.
- Festa de Santo André no lugar de Espinheira no primeiro domingo de Novembro.
* Festa de São Pedro no lugar de Porto de Covões em 29 de Junho.
* Festa de Cristo Rei no lugar de Cavadas.
(* estes dois últimos lugares não têm capela)

barra de separação - fanfarra

Todas as festas populares que se realizam actualmente na nossa freguesia sofreram o impacto da modernidade, no que toca ao tipo de música que acompanha as tendências da moda discográfica e mesmo os conjuntos musicais apostam nas modernas tecnologias. Perdeu-se assim muito da tradição dos antigos conjuntos e Orquestras de baile tais como: Os Melros, Os Libórios; Os Faraós, Os Perús do Troviscal, os Sanchos, entre outros grupos que a pleno pulmão tocavam os seus instrumentos musicais, interpretando assim o repertório antigo de dança, a maior parte dele de autores portugueses. Ainda podia assistir-se ao despique entre dois conjuntos que competiam entre si (era tradição) para obter a preferência do público.

O tipo de festas característico da nossa freguesia assenta, em parte, nas antigas tradições das festas populares à moda Gândaresa, as quais tinham alguns usos e costumes dos quais ainda sobrevivem alguns vestígios. Como exemplo típico destas tradições, pode tomar-se por referência a Festa do Santo Amaro do Picoto por ser aquela que mantém um maior número das antigas características originais e que tipifica melhor a generalidade de todas as outras:
« Trata-se de uma romaria que se realiza anualmente. Em tempos idos quando os seus homens partiam para a faina do mar, as mulheres, rogando a Santo Amaro pela sua protecção,, prometiam ao Santo uma peregrinação ao lugar do Picoto na região da Gândara.
Os peregrinos, oriundos de toda a costa compreendida entre a Gafanha da Nazaré e a Praia de Mira, deslocavam-se a pé ou a cavalo. Os caminheiros só dispunham de um acesso ao Picoto passando por Covões, já que o lugar é ladeado por dois riachos, um dos quais afluente do rio Boco. No Inverno (a festa é em Janeiro) os riachos transbordavam convertendo em lama as terras barrentas que lhes servem de margens.
Habitualmente os peregrinos, em grupos, merendavam nas carvalheiras, sobre as folhas secas desta vegetação estendendo assim as suas mantas. Neste lugar de Picoto, onde a única fonte de rendimentos era a agricultura de subsistência e onde a primeira estrada foi rasgada e coberta de rachão pelo povo, com o objectivo de quebrar o seu isolamento, até o Santo padroeiro era apelidado de Santo Amaro Pobre. Pobres eram também os romeiros que da terra extraiam as oferendas que consigo levavam e, uma vez lá chegados, ofertavam ao Santo da sua devoção sacos de milho sobretudo. Os vendedores acorriam também ao largo da capela, outrora em terreno de barro, para venderem figos secos, tremoços, vários tipos de doçaria e vinho novo.
A capela original era construída em adobe e foi demolida para dar lugar à actual capela, que é de maiores dimensões que a anterior. Trata-se de uma construção simples de duas águas, com uma torre sineira, onde no seu interior se encontra a imagem de Santo Amaro que se crê ser do século XVI, esculpida em pedra, com cerca de 80 cm. de altura e 70 kg. de peso. Para além desta imagem existem outras em terracota, a de São Romão e a de Nossa Sra. de Fátima.
Actualmente, e à semelhança das outras festas da freguesia, a alvorada é pelas 8 horas com uma salva de 21 tiros de pirotécnia. Logo a seguir vão chegando os muitos vendedores, que instalam as suas barracas no largo das festas e pelas 9 horas chegam os músicos da Banda de Covões para dar inicio a saudação à população percorrendo a única rua do lugar. Às 12 horas é rezada a missa na capela, seguida da procissão que transporta os Santos da devoção local ( Santo Amaro, Nª Sra. de Fátima e São Romão) ricamente enfeitados pelas flores colocadas pelas mordomas da festa. Durante a procissão os peregrinos transportam consigo as oferendas moldadas em cera, que representam os órgãos do corpo humano, de crianças em tamanho natural e ainda de animais domésticos. Estas imagens depois são queimadas no final da procissão ou colocadas aos pés do santo como sinal do cumprimento das promessas. De seguida fazem-se estoirar os foguetes que, durante cerca de uma hora, anunciam o final das celebrações religiosas.

 É comum ouvir-se da boca dos romeiros, que trazem consigo os seus filhos, que foram os pais que os trouxeram porque os avós já os haviam trazido a eles.