Descritivo Histórico

DESCRITIVO HISTÓRICO – COVÕES, LUGAR E FREGUESIA

Logo-freguesiaAssumindo posição bem ao centro da orla nortenha do concelho de Cantanhede, a freguesia de Covões constitui-se como sua extrema setentrional, projectando-se e alongando-se naquela direcção, como espécie de enclave que se insurge entre os termos municipais de Vagos (que se estende para ocidente) e Anadia (a norte e nascente); Febres e Camarneira são as congéneres que completam, a sul, este envolvimento e delimitação territorial.
Covões detem uma considerável abrangência em área – cerca de 2820 hectares ou 28,21 Km2- , correspondendo-lhe um povoamento estimado, na actualidade a cerca de dois milhares e meio de habitantes. Em termos demográficos e um pouco à semelhança da generalidade das outras freguesias deste concelho de Cantanhede, os dados estatísticos recolhidos ao longo da última e da presente décadas, traduzirão quer um certo decréscimo da população residente, quer o seu notório envelhecimento. Censos INE de 1991 e 2001. E nos censos de 2011 continua a verificar-se esta mesma tendência.
Em Montouro  , povoação desta freguesia, regista-se a existência de uma nascente de água mineral.
Uma análise da vida económica local na actualidade, demonstrará que o sector primário continua a exercer, como de há séculos a esta parte, um papel preponderante, embora apenas se estime um total de 20% da população activa a laborar presentemente nas diversas explorações agrícolas subsistentes no termo da freguesia. A horticultura tem vindo paulatinamente a grangear certo ascendente, bem assim como o ramo da pecuária.
Merece algumas notas a toponímia local, cujo interesse arqueológico poderá eventualmente evidenciar-se no caso específico de Monte Arcado – expressão actual de antiga grafia Môtargado ou Môtarcado, já documentada pela segunda metade do século XIII -, se acaso esta se revelar relacionada com suposta existência de vestígios megalíticos, frequentemente referenciados popularmente pelo termo arcas ou orcas . Quanto ao corónimo Covões, tudo indica que, conforme tem sido veiculado por diversos autores, a sua etimologia radique em uma particular circunstância geográfica – a topografia local, onde se detectará a existência de pequenas depressões (covas – covonnes) pouco profundas ou valados.
Para além das sugestões que a microtoponímia local vai propondo, parece que se registarão igualmente achados dispersos de artefactos líticos no aro desta freguesia, pois aos mesmos fez já vaga alusão Ana Silva Poiares e, posteriormente e na sua esteira, João Reigota. Tratar-se-á de um ou vários machados de pedra polida, de tradição neolítica, podendo eventualmente relacionar-se o seu aparecimento com a plausível presença de estruturas megalíticas ainda por detectar. Mais recentemente foram encontrados vestígios de ocupação romana (tegulae, imbrices – cerâmicas) a cerca de 300 metros a nascente da localidade, numa encosta virada a sul sobre a nova variante de Covões, na estrada para Mira ».  In A Gândara Antiga, João Reigota.
Para além de Monte Arcado – já citado em fonte documental datada de 14 de Dezembro de 1271, e assim se assumindo como o mais remoto dos lugares com notícia histórica da freguesia – integram ainda o termo da freguesia os povoados Seadouro, Espinheira e, claro está, Covões todos estes de existência noticiada pelo século XIV. Um pouco mais tarde, pelo Numeramento Populacional de 1527, é possivel aferir-se da sua importâcia em termos demográficos, registando os lugares de Môtargado, Covões e Malhada, no seu conjunto, um total de 299 vizinhos.
O termo da freguesia de Covões – ou, melhor dizendo, da antiga circunscrição territorial de Monte Arcado – era bem mais abrangente que na actualidade, pois integrava, para além das actuais freguesias cantanhedenses de Febres (Boeiro), Vilamar (Escumalha) e Corticeiro de Cima algumas povoações hoje integradas em freguesias dos vizinhos municípios de Vagos, Oliveira do Bairro e Mira. Um censo de 1757 atribuía a este basto aro uma população que rondaria já as três mil almas, a atender aos 623 fogos arrolados e distribuídos por 40 lugares.
Num mapa quinhentista da autoria de Fernando Alvares Seco, gravado em 1561 e por tal facto considerado por Amorim Girão como a mais antiga representação cartográfica do então reino de Portugal, surge Monte Arcado como uma das principais povoações desta área gandaresa-bairradina, a par de Cantanhede e Cadima. Aquela seria inclusivamente, a antiga designação de uma realidade de tipo concelhio, organização rudimentar – o denominado « Curral do Concelho » (1) que deixaria rasto na toponímia local -, com direito ao exercício de justiça local através de uma representação composta por um juiz, dois louvados, um escrivão e um procurador, cargos de eleição anual proposta pela câmara de Cantanhede.
É provável que esta entretanto perdida autonomia jurisdicional se revestisse de simbologia institucional apropriada, seja através da existência de um pelourinho. Embora não confirmada, subsiste uma asserção proposta por alguns autores, segundo a qual o actual cruzeiro de Monte Arcado, datado por cronograma de 1698, poderia resultar de uma reutilização religiosa de elementos arquitectónicos dessa (suposta) estrutura. Porém, o mais provável é que essa idéia resulte de uma notória confusão popular entre aqueles dois tipos de monumentos, de idêntica feição estrutural.
Quanto ao cruzeiro de Covões, esse assume a tipologia característica da sub-região bairradina, surgindo protegido por uma estrutura de cobertura em cúpula de meia laranja, suportada por quatro colunas, estas de fustes cilindricos dotados de caneluras, asssentes sobre altos plintos e com austeros capitéis ao estilo dórico. Nos ângulos do arquitravado entablamento de remate, elevam-se os tipícos pináculos piramidais de cantaria, repetidos em numerosos outros exemplares afins deste género peculiar de singelas construções.
No tocante ao templo paroquial, é este um imóvel de certo interesse arquitectónico cuja primitiva fábrica se julga ser anterior a 1558, já que no seu interior se preservará notável exemplar escultório em pedra de Ançã, representando Santo António, da autoria de João do Ruão e cuja execução se documenta, por aquela mesma data, sob encomenda da Sé de Coimbra, pela quantia orçada de dois mil réis. À mesma centúria respeitarão igualmente as imagens de S. Brás, S. Sebastião e S. João.
« A igreja actual já não é a mesma de 1558, pois foi reconstruída no século XVIII mas o Santo António ainda lá está e é considerado o mais milagroso de toda a Gândara, recebendo no dia da sua festa (13 de Junho) grande quantidade de ofertas, na sua maioria pés de porco, a atestar a protecção dispensada pelo santo àqueles animais.
Este é, aliás, um dos muitos costumes curiosos que o povo dos Covões mantém, tal como certas regras que acompanham a cerimónia do casamento e algumas práticas da Quaresma, como o cântico das Almas Santas e o Sarra-a-velha que aqui assume um papel de crítica social » (Nelson Correia Borges) .

O Monumento ao Músico surge entretanto como um interessante conjunto escultório em bronze, de execução recente onde se pretendeu prestar homenagem – através das figuras em tamanho natural, de um saxofonista devidamente trajado e de uma criança que parece apreciar, com entusiasmo, o seu desempenho musical – à Sociedade filarmónica local, colectividade que contará já bem mais de um século de existência, já que se viu fundada em 13 de Junho de 1868
Fonte: Trechos (alguns resumidos) extraídos do livro Cantanhede honrando o passado, rumo ao futuro

(1) O « curral do concelho » era um recinto vedado, onde se recolhiam os animais domésticos até serem pagos os danos por eles causados em propriedade alheia. Havia-os nas sedes de concelho, mesmo nos de insignificante jurisdição

POPULAÇÃO RESIDENTE EM 2011 SEGUNDO GRUPOS ETÁRIOS
VARIAÇÃO ENTRE 2001 E 2011
GRUPOS ETÁRIOS
GRUPOS ETÁRIOS
População
Homens
0- 14 anos
15-24 anos
25-64 anos
65 e mais
Variação
0-14 anos
15-24 anos
25-64 anos
65 e mais
2155
993
218
185
986
766
-12,68%
-28,76%
-36,21%
-21,37%
23,95%

Fonte: Informações retiradas do site do INE. Em caso de disparidade entre estes dados expostos neste quadro e os dados do INE, estes últimos devem ser levados em conta.

TAXA DE ANALFABETISMO: 9,99%

JUNTA DE FREGUESIA
União das Freguesias de Covões e Camarneira
Presidente: Asdrúbal Gomes Torres – freguesia de Covões – (eleito pelo PPD/PSD com 69,62%, que representa 1132 votos)

linha separadora

O concelho de Cantanhede passou de 19 a 14 freguesias após o dia 12 de outubro de 2013 pela Reorganização Administrativa do Território. São elas actualmente:
Ançã, Cadima, Cantanhede+Pocariça, Cordinhã, Covões+Camarneira, Febres, Murtede, Ourentã, Portunhos+Outil, São Caetano, Sanguinheira, Sepins+Bolho, Tocha, Vilamar+Corticeiro de Cima
Clique nos nomes das freguesias abaixo para saber mais sobre cada uma delas:

Ançã Bolho Cadima Camarneira Cantanhede Cordinhã Corticeiro Covões Febres Murtede Ourentã Outil Pocariça Portunhos S.Caetano Sanguinheira Sepins Tocha Vilamar