Órgão de tubos de 1795

ÓRGÃO DE TUBOS DA PARÓQUIA DE COVÕES DATADO DE 1795

Antigo órgão de tubos da nossa igrejaO órgão de tubos existente na Paróquia de Covões foi construído pelo organeiro António Xavier Machado e Cerveira, no ano de 1795 e com o número de ordem #46.
O mais notável organeiro português e que maior quantidade de trabalho produziu. Era irmão consaguíneo do grande escultor em madeira, Manuel Machado de Castro e filho de outro organeiro e escultor em madeira, Manuel Machado Teixeira ou Manuel Machado Teixeira de Miranda.
Machado e Cerveira nasceu em 01 de setembro de 1756 na freguesia de Tamengos, pequena povoação pertencente ao concelho de Anadia, diocese de Coimbra. Seu pai era natural de Braga. O nome dos Machados figura no grande órgão que existia no coro do Mosterio dos Jerónimos do lado do evangelho, o qual tinha esta inscrição: “Manuel Machado Teixeira de Miranda o fez e acabou no anno de 1781”.
O primeiro órgão completo que Machado e Cerveira construíu e hoje existe em perfeito estado, é o da Igreja dos Mártires.Tem na inscrição a data de 1785 e o número 3 indicando os instrumentos construídos pelo autor até essa data. Talvez ele contasse como números 1 e 2 os do Mosteiro dos Jerónimos.
Depois de ter feito o órgão dos Mártires, Machado e Cerveira ganhou um grande crédito e foi imcumbido de construir todos os órgãos que as igrejas de Lisboa, reedificadas depois do terramoto, tiveram de adquirir; a sua missão nesta especialidade foi idêntica à de Pedro Alexandrino na pintura. Assim é que, com as mesmas dimensões do órgão dos Mártires embora com diferentes frontispícios, produziu sucessivamente os órgãos de S. Roque, Convento da Estrela, convento de Odivelas, Sacramneto, Santa Justa, os três de Mafra, o da Capela Real de Queluz, além de muitos outros menores, como os do Socorro, Santa Isabel, Boa Hora (em Belém), Anjos, S. Tiago, S. Lourenço, ermida da Vitória, Encarnação, etc.
Fabricou também muitos instrumentos para diversas igrejas das proximidades de Lisboa, como Barreiro, Lavradio, Coruche, Marvila, Santarém (onde há três, sendo o mais considerável o da Misericórdia), Santa Quitéria de Meca, etc. Igualmente mandou muitos para o Brasil, alguns de grandes dimensões.
Por motivo de ter construído os órgãos de Mafra e Queluz, foi nomeado organeiro da casa real – Organorum Regalium Rector – como ele mesmo se intitulava e condecorado com o hábito de Cristo.
Um dos últimos instrumentos produzidos por este laborioso fabricante foi o órgão que existe na freguesia do Barreiro: tem o número 103 e data de 1828, exactamente o ano em que morreu.
Machado e Cerveira entrou para a Irmandade de Santa Cecília em 22 de Novembro de 1808, sendo muito considerado nesta corporação. Exerceu com a maior pontualidade e zelo, durante os últimos anos e até poucos meses antes de falecer, o cargo de primeiro assistente, presidindo a todas as sessões da mesa.
Tinha ultimamente oficina e morada numa das propriedades da Casa de Bragança ao Tesouro Velho, creio que a mesma que ocupara seu irmão Machado de Castro. Morreu em Caxias, para onde tinha ido muito doente, em 14 de setembro de 1828, contando 72 anos de idade; foi sepultado nos covaes dos Jerónimos.
Também é notável sob o ponto de vista ornamnetal o órgão do Convento da Estrela. É dividido em cinco corpos laterais, porque a pequena distância que separa o coro da abóbada não permitia desenvolvê-lo em altura; os emblemas, festões e figuras inteiras nos remates assim como os finos embutidos nos teclados. Constitui tudo trabalho de muito gosto para se admirar. Tem este órgão dois teclados, quarenta e três registos e sete pedais de combinações. A sua inscrição, manuscrita com letra bastarda muito bem lançada sobre uma prancheta de marfim diz: “Este órgão o fez António Xavier Machado e Cerveira no anno de 1789, Nº 23”.

(Texto cedido pela AACCC – Associação de Arte e Cultura do Concelho de Cantanhede)