Aviões aterraram em Covões

ATERRAGEM DE DOIS AVIÕES MILITARES EM COVÕES EM 1937

Dois aviões militares aterraram em Covões em 1937Dois aviões atérram forçadamente, como já dissemos, nuns terrenos denominados de Espinhaço de Cão, limite de Covões deste concelho e o facto constitue um espectaculo inedito, que levou ao local alguns milhares de curiosos da referida freguesia e circunvisinhas.
Desta vila partiram, apos o conhecimento do facto, numerosas pessôas, em automoveis, bicicletes e outros meios de transporte contando se no numero d’estes pessôas da maior representação, desejosas, não só de presenciarem um espectaculo novo e interessante, mas tambem de oferecerem os seus serviços á tripulação.
O avião de bombardeamento nº 312, pilotado pelo alferes Silva Correia, tendo como mecanico Francisco Levi C. Dias que fora surpreendido por um espesso nevoeiro quando procedia a exercicios ou serviços da escola ( obrigado por esta razão a perder tempo) viu-se sem gasolina, sendo forçado a procurar um campo de aterragem. Em busca d’ele evolucionou a minima altura, descobrindo então os terrenos denominados de Espinhaço de Cão, semeados de mato os quais utilisou para a descida.
Antes, porem, diz-se que o aparelho fez varias manobras sobre os terrenos adjacentes, no desejo de comunicar com os trabalhadores que por ali se entregavam á faina da lavoura, afim de procurar edentificar o local. Estes, porem, incultos e amedrontados, afastavam se procurando refugio, sem atingirem a intenção dos tripulantes da aeronáve.
A aterragem foi feita com pericia.
O aparelho apenas apresentava uma ligeira fenda n’uma das pás da helice, estrago que não impediria o avião de descolar, logo que pudesse ser abastecido de gasolina, para o que, imediatamente providenciou o seu piloto vindo ao telefone de Fébres.
Entretanto uma môle enorme de curiosos se juntava em tôrno do aparelho que a cada momento ía engrossando com novos grupos vindos das povoações proximas. Dentro de poucos minutos o campo dava a impressão d’uma feira, tal era o numero de pessôas ali reunidas. Covões e lugares onde a noticia chegou, despovoaram-se. Eram homens, mulheres e crianças, figuras de todas as categorias e posições, admirando e examinando o aparelho, muitos recolhendo na objectiva das suas maquinas fotograficas, assunto tão raro no nosso meio.
Estava para descolar o avião, no meio de grande entusiasmo do publico, quando um ruído aereo anunciou a aproximação do aparelho 318, da mesma categoria, do Campo de Alverca a que, tambem pertencia o primeiro e que vinha em socôrro deste.
Após umas manobras de reconhecimento do terreno e correntes aereas, o aparelho fêz a sua aterragem, manobra que o publico acompanhou com o maior interesse e vibração.
O cêrco apertado que os curiosos fizeram á manobra, a ver aquele que melhor poderia observar o extranho espectaculo e um inesperado desnivel de terreno, fêz com que o avião chocásse com um grupo de bicicletes e sofresse avarias n’uma das azas.
No dia seguinte, 17, ás 10 horas, o 312 deslocava, seguindo rumo sul. O 318 ficou em reparação das avarias tendo levantado vôo pilotado pelo tenente Ferreira Ribeiro e mecânico Méco, na segunda feira ás 16 horas, por entre aclamações do pôvo que saudou entusiasticamente os aviadores.
A tripulação dos dois aparelhos foi carinhosamente acolhida pela população e levou, da nossa região as melhores impressões.
O piloto e o mecanico do 318, foram hospedes do Snr. P.e Angelino Marques Craveiro.
Covões e Febres tiveram, com este inesperado acontecimento, tres dias de festa.
Aos aviadores foram oferecidos por um grupo de senhoras, um ramo de flores, a cada, traduzindo a simpatia da região pelos herois do ar.
No domingo o campo improvisado foi visitado por mais de 5000 pessôas, vendo-se, ali improvisados varios estabelecimentos de cómes e bébes.
In Gazeta de Cantanhede, sábado, 27 de Fevereiro de 1937.
Informação: (recorte do Jornal) gentileza de Luis Manuel M. Nogueira, de Cantanhede – Janeiro 2014.
NB: neste texto procurou respeitar-se, como poderão verificar, a grafia da época.